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Aléxia
Nosso cabelo é quase da mesma cor, e amamos bichos de pelúcia. E livros. E doces. Minha amiguinha estudante, perdida entre fórmulas e regras, e eu ali uma presença inquietante e absurda - figurinha na porta às dez da manhã de um domingo de sol. Você tentando me entender e no seu esforço uma ruga na testa, enquanto eu me fingia de forte com lágrimas brotando nos olhos. E as minhas frases feitas, às vezes pra te impressionar. A verdade é que eu não sou assim tão sábia, sabe? E que estou com saudade. Sinto falta das pessoas que realmente se importam, de repente, tanta falta. Eu apareço aí algumas vezes, aparição que sou, feita de vento com um filme na bolsa e unhas sempre prontas a serem pintadas carmim, um dos códigos das parcas tradições que temos. Eu até que queria ser mais. Mais presente talvez, menos falha, menos confusa e mais tranquila, mais aí sempre e pra tudo, mas por enquanto não dá. E eu nem tenho uma foto nossa pra guardar!
On Pigeons
I knew pigeons died in the same abstract way one knows, for example, that pedestrians die. You hear about it, you can rationalize the fact that it is true, they must sometimes die, considering the risks and all. But if you haven’t seen it happen, the idea is as thin as air. And if something is intangible, it’s as good as if it didn’t exist. That morning, the death of pigeons came into existence for me. Happily trotting along my usual path, I encountered a dead pigeon. Crushed would be a more accurate description. You could barely tell it was a pigeon, or that it had ever been one, if it weren’t for the wings. Two widespread white wings, plastered on the pavement, on top of the zebra crossing. There wasn’t blood, guts or any sort of gory evidence of its once-living nature; just two white wings and a gray mass where the body should have been. It seemed hopelessly poetic: wings that once crosse...

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