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Culinária

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O chiado do óleo quente ressoa  nos ouvidos já agitados. No fundo da frigideira, brilha um fogo azul com poder de transformar qualquer massa insossa em bolos, biscoitos, panquecas, suflês. Cozinha é um laboratório de mágicas. O cheiro de curry inunda as narinas e infla a mente de lembranças da Índia, de tigres, elefantes brancos, de pingentes brilhantes, de cítara suave. Um pingo de chocolate na boca, gosto de infância, de arte, de avó, de bolo de aniversário, dedos melados. Coentro, salsa, cebola queimada fritando na manteiga, e aquela fumaça que sobe como que viva para despertar sabores, amores, desejos, há tanto perdidos! A sinfonia da água lavando folhas, enchendo frascos, a colher de pau no jarro de vidro inventando limonada. Semente de abóbora, talo de aipo, colher de chá, de sopa, de suco, de sonho. -Dá uma provinha? É abrir a boca e deslizar a colher; quente de molho vermelho, de amor, de tempero, de saudade presa em pote e despejada às pitadas, de alma aberta e...

Lista:

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Dar menos importância às pessoas, ignorar opiniões, esquecer ofensas; deixar tudo para trás. Trocar de ares, de roupa, de música, de cor do cabelo - ser outra pessoa por um dia ou dois. Tomar banho de mar e deixar por lá as mágoas, as dores, lavar o rosto, lavar as mãos, molhar os lábios de água salgada e lavar também a alma; desapegar de tudo o que nos impede. Escolher um novo livro. Escolher um novo amor. Renovar nossa percepção... Pisar novos caminhos. Seguir sozinho, acompanhado, seguir de mãos dadas, olhos fechados. Confiar.  Mudar a razão de ser, esperar o segundo sol - colorir o céu. Escurecer arco-íris, clarear dias de chuva, pisar nas poças de água, rabiscar corações no caderno. Se apaixonar sem medo, e terminar sem amargura.  Rir em todo começo e lembrar, em qualquer final.

Mudança

Sinto falta das conversas, dessa amizade que a gente tinha. Sinto como se a cada segundo estivesse mais perto de se perder, estamos mudando. Mudei meu cabelo, meu jeito de falar. Estou mudando meu foco, meu jeito de ser, e os nomes e rostos que me alegram o coração - mudei tanto! Não quero mudar você. Você costumava ser meu ponto de lembrança, minha ligação, algo pra não deixar o passado se perder de vez. Você - uma das únicas coisas das quais eu não quis me esquecer. Você sabe o que eu passei, o que pensei, você sabe quase de tudo. Sinto falta das risadas, dos seriados. Você me disse uma vez que sempre estaria lá, e eu achei que nunca me sentiria assim - nesse vazio. Sem lugar pra correr, pra me esconder, porque eu achei que teria você. Por favor, não suma assim... Eu preciso de ajuda, como sempre precisei. Você acha, mas não sou forte. Sou só humana.

About Words.

Hazard. Serendipity. Words. Words are all around. Perhaps they mean something, perhaps they don't; perhaps they don't really want to mean anything, to anyone. Has anyone ever asked words? If they like? If they wanna be said? If they like their meanings?  What about Sorrow? Has someone asked sorrow if this is the life it was expecting? What about Death? Did it really want to be said in the situations it is said? And Love. Love, with all the banalization, it's said a hundred times everyday. Does it agree with its meanings? Does Love agree with the 'lovers'? Impossible to say. Unfortunately, when Doubt came to visit me, there was no Answers home.

Gabriel

As pessoas dizem que ele está no céu Mas eu não sei Penso em nuvens de algodão E já não sei, e estou assim Desmoronando por dentro Como a vida de todos os que ficam De todos que o perderam... E ele só tinha dezesseis E eu já não sei Tento não duvidar De mais do que já duvidei Ainda assim, talvez Aquelas estrelas ali Conheçam o caminho Quebrando idéias Como os cacos de vidro. É mais difícil explicar Quando estamos tentando acreditar Na própria explicação É mais difícil fingir Que os motivos estão aqui Sem usar a razão Sem se perguntar "Por quê?" E enquanto isso lá fora Há gente jogando no lixo A vida e a saúde que tem E o sol não deixou de nascer Ele ainda assim foi embora E não deixou nada mais claro com o amanhecer Não sei, não sei Existem dias frios demais Para que os anjos possam voar Talvez as pessoas sejam Apenas pessoas, que um dia se vão E eu tenho que me acostumar.

Pra onde?

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Você aí, já sabe onde vai? Não, eu não. Não sei, e sabe, acho que nem quero mesmo saber. Eu tenho tempo! Tenho sim, um tempo ainda, pra correr por aí, pra me perder, pra cheirar as flores. Tempo pra fazer escolhas, e consertar erros, e errar outra vez, e outra vez, e outra vez. Pra cair, ralar o joelho, a alma, o orgulho, ralar-me inteira e aprender que tudo tem cura. Pra aprender a ser segura, a me garantir sozinha. Pra ser princesa, pra ser rainha... Pra ser o que eu quiser ser. Até pra pilotar Kart! Eu tenho tempo, agora. Não preciso decidir que placa vou seguir. Qual caminho escolher, ou quantos quilômetros percorrer em busca de sonhos que, muitas vezes, perdem seu brilho na estrada. Não, ainda não. Por enquanto vou meio perdida, sem ter chegada ou partida. Quero ir sem velocímetro, sem indicador, sem combustível.  Pra algum dia achar um lugar ao qual eu realmente pertença e sorrir, olhando as curvas do mapa, com rotas marcadas em caneta azul.

Aniversário

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Outro ano, alguns docinhos, talvez uns quilos… O que mais é um aniversário? No meu caso, uma festa e um quinhão de trabalho. Me pergunto se dentro de nós, ele significa alguma coisa - ou se a nossa sociedade absurda já extinguiu até mesmo a reflexão do simples ato de aniversariar. Soprar velinhas? E aí? Depois disso, vida nova. Outra oportunidade. Maneiras de se descobrir. Mais responsabilidade… Quem sabe até mais afeto? A gente sempre espera mais maturidade pra não repetir os erros. Envolta por chocolates, embrulhos, celofane e refrigerante, penso se a graça de se envelhecer não é justamente essa: Saber no que as coisas dão. E, caso elas sejam deliciosas, errá-las despreocupadamente: Por quantos anos seja preciso.